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24.5.22

sempre vivemos no castelo...

Imagem Xis

terminei de ler mais um livro da rainha Shirley Jackson, e mais uma vez eu saio de uma leitura completamente surpreendida positivamente - e sem palavras também. depois de ler "assombração na casa da colina" eu resolvi adotar essa escritora como minha favorita e o único lamento que eu tenho é que não tenha tantas obras dela quanto eu queria.


em "sempre vivemos no castelo" conhecemos a família Blackwood - ou ao menos o que sobrou dela: Merricat (Mary Katherine), sua irmã mais velha Constance e tio Julian. os Blackwood são uma família tradicional e antiga da região, desprezada de certa forma pelos vizinhos que os julgam como esnobes. mas o que importa aqui é como vamos conhecer a dinâmica dos três Blackwood restantes.


a narrativa se dá pelo ponto de vista de Merricat e sua peculiar visão de mundo, sua rotina sistematizada e rígida e seus pequenos "rituais" de proteção contra o mundo exterior. sua personalidade é meio conturbada com toques de ansiedade e fobia social e sua mente absurdamente imaginativa sempre torna a leitura um pouco confusa no início. Constance possui uma personalidade mais submissa e doce, sempre ocupada em sua cozinha e sua horta, fazendo seus assados e conservas. já tio Julian passa seus dias escrevendo sobre a noite do último jantar em família em que todos os Blackwood ainda estavam vivos. 


Constance sofre de agorafobia e não é capaz de passar da horta da própria casa, o que para Merricat pode ser algo vantajoso, já que dessa forma ela consegue manter a irmã em segurança dentro das sólidas paredes da mansão Blackwood. porém as coisas começam a sair do eixo sistemático e rotineiro quando um primo distante resolve aparecer para uma visita, e quem sabe, ajudar as primas que ao seu ver estão desamparadas. e é com a chegada de Charles que Merricat resolve mostrar seu lado possessivo e infantil para proteger Constance que, por sua vez, não consegue ver a dubiedade das ações do primo. 


há uma adaptação cinematográfica de 2018 com a direção da Stacie Passon, com a Taissa Farmiga como Merricat e a Alexandra Daddario no papel de Constance mas eu ainda não assisti, só me falta descobrir como já que aparentemente não teve uma grande distribuição. enfim, eu super recomendo a leitura, apesar de não ser uma leitura muito confortável... me senti sufocada e as vezes desesperada em algumas passagens, mas é um dos estilos de leitura que eu gosto e foi muito bem escrito. mais uma vez a rainha do suspense mostra a que veio. 

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