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6.6.23

uma porção de centeio...

temos hoje mais um post sobre a minha escritora favorita, a rainha do crime: Agatha Christie (ou gata triste para os mais íntimos). o livro da vez foi "uma porção de centeio", como já está no título, e mais uma vez eu não saí arrependida da leitura. aliás, o famigerado cozy mystery é sempre uma boa escolha de leitura pra quando sua cabecinha não está tankando o bostil. e os livros da gata triste em especial, parecem grandes novelões que passam no horário nobre. 

nossa história começa com a morte de Rex Fortescue, um milionário de caráter duvidoso, a única discrepância nesse ocorrido é uma porção de centeio no bolso da vítima. a polícia se vê numa corrida contra o tempo quando mais duas vítimas aparecem, e com a ajuda de miss Marple, e sua visão nada ortodoxa, o detetive Neele começa a juntar as peças soltas do mistério. 

fiquei encantada com a ideia de que a polícia inglesa deixou uma senhorinha xeretar uma cena de crime sem nenhum impedimento, senhorinha essa que também possui referências com oficiais da Scotland Yard. a polícia cedendo para a força da fofoca. e nossa, quanta fofoca a miss Marple consegue desenterrar dos ricaços entediados e com medo de serem os próximos da lista de baixas. 

além das fofocas, outra característica marcante nas obras da Christie é: treta de família rica. é quase um casos de família edição de luxo. e a grande maioria das tretas é sempre por dinheiro, isso mesmo: ricos brigando por dinheiro. é uma grande obra de arte para nós, classe trabalhadora que mal consegue conceber a ideia de uma herança, quem dirá brigar por uma. 

apesar da aparição da nossa querida miss Marple se dar mais do meio pro final do livro, a história em si e o cenário foram muito bem construídos, fazendo assim com que a chegada da Marple seja o início do desenrolar do problema, sua presença é mais uma linha guia ao detetive Neele do que uma fonte de respostas fáceis, gostei de que ela tenta fazer ele chegar na solução antes de dizer tudo de forma fácil. outra característica dela que me agrada muito é o fato de que, embora sua aparência seja a de uma frágil senhora, miss Marple é uma mulher racional e calma, boa em ouvir e analisar o cenário como um todo.

o livro é leve e tem um bom ritmo, maravilhoso pra se ler na cama numa manhã mais fria com um copo de leite quente. foi uma leitura maravilhosa pra salvar minha cabeça depois do trauma que foi o beco das ilusões perdidas. 

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