a história se passa em Lagoana, uma cidade fictícia no interior de São Paulo. achei interessante a escolha de usar a habitual reserva da comunidade interiorana pra criar uma atmosfera de tensão que acaba sendo confundida inicialmente com desprezo por parte dos habitantes em relação com as pessoas de fora. afinal, a cidade que há pouco era bem pequena, acabou se tornando uma cidade universitária. e é aí que a protagonista entra: Verônica se mudou pra essa cidade pois o mentor de seu pai leciona no campus da universidade de Lagoana.
Verônica Cattani está escrevendo seu primeiro livro. Seguindo os passos de seu pai, o falecido Andréas Cattani, seu principal objetivo é dar vida a histórias reais em forma de fantasia. Mas, antes, ela precisa cair nas graças de Carlos Velásquez, o antigo mentor de Andréas e atual professor na Universidade de Lagoana, onde agora ela estuda. Na tentativa de escrever seu enredo maluco e chamar atenção de Velásquez a jovem não percebe estar acordando demônios antigos, espíritos malignos que viviam no fundo das águas de um lago escuro. Agora, realidade e fantasia se misturam. É impossível discernir quem são pessoas reais e quem são seus personagens. Quem irá tirar Verônica das teias de sua própria loucura?
admito que inicialmente a leitura começou bem lenta, mas por um motivo particular meu, eu tive muita resistência com a Verônica, eu realmente não conseguia simpatizar com ela e o relacionamento dela com Enzo me deixava muito incomodada, entendo que ela é uma personagem com problemas psiquiátricos e que passou anos internada, mas parecia que ela nunca teve um acompanhamento profissional decente e que o namorado dela realmente acreditava que o poder do "amor" seria o suficiente pra ajudar com qualquer problema mental dela - e não estamos falando de uma depressão leve ou uma simples crise de ansiedade.
o caso é que Verônica passou por um trauma muito pesado na infância e acabou internalizando todo o acontecido e soterrando tudo em seu subconsciente como uma tentativa de seguir adiante com a vida. porém, sempre que surge uma oportunidade, fragmentos de memória acabam se mostrando mas ela acaba interpretando tudo como algo lúdico e acaba registrando tudo como um livro de fantasia com elementos sobrenaturais - já que ela sempre sonhou em seguir os passos do pai como uma escritora. o problema é quando ela começa a ver essas "ideias fictícias" no mundo real e começa a duvidar de sua própria sanidade.
Entre nós, agora, estava minha companheira. Era ela... A loucura. Ela é como um desalinho em espiral nos trilhos da sua mente. Quando o trem chega perto das zonas de risco, aqueles espaços se contorcem e retorcem, esgueirando-se dentro de seu cérebro, embrenhando-se no meio de sua carne, como veias enferrujadas intrincadas com as saudáveis. O trem fica desgovernado, acelera em meio a elas, passa por dentro de tudo, rasgando e sangrando.
fiquei com medo dos meus bloqueios iniciais com a protagonista me atrapalharem no aproveitamento da leitura no geral, mas não aconteceu, o ritmo da história começa a acelerar e quando acabou fiquei surpresa em perceber que eu não me importaria em ir pra um próximo volume, já que muitas pontas ficam abertas e Verônica enfim resolve tentar ver as coisas como são e não fugir ou fantasiar sobre suas memórias.

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