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levantamento de agosto...

agosto sempre foi um mês complexo em minha vida. mesmo sendo o mês do meu aniversário, cresci ouvindo da boca de meu próprio progenitor: "agosto é o mês do desgosto, do cachorro louco". alguns anos ele esquecia completamente o meu aniversário, lembrando dois ou três dias depois e, atualmente, ele simplesmente desistiu de fazer as contas, provavelmente ele adotou aquele pensamento de que idade é algo apenas relativo e psicológico. enfim, esse é apenas um dos motivos de agosto me deixar apreensiva. 


o segundo motivo se dá ao fato de que eu, sendo uma pessoa completamente reclusa e em estado de treinamento para virar uma eremita honorária acabo ficando um pouco nervosa quando recebemos visitas em casa. e mesmo assim, no dia do meu aniversário, minha mãe resolve fazer uma reunião familiar com direito a muita comida e muitos momentos constrangedores - pra mim. eu me esforço ao máximo e consigo passar as sete horas de visita dos parentes, sentada em lugar estratégico e sempre mantendo aquele sorriso de quem está completamente descolada da realidade - tenho dominado essa arte com maestria, diga-se de passagem.


sobre o cpap que eu comecei a usar no final de julho, admito que tenho me adaptado muito bem até, esses dias tentei dormir sem e acordei inúmeras vezes sentindo que havia uma corda ao redor do meu pescoço. gastei absurdos pra poder respirar durante o sono? sim. mas ao menos meu sono melhorou 500%. o que não excluí o fato de que minha depressão ainda me compele a tentar dormir 20 horas por dia. 


um lado bom do mês é que consegui ler um livro (sim, é uma vitória pra mim) e voltei a desenhar... de forma terapêutica por enquanto. e também venho tentado entrar menos no twitter - o que é algo muito difícil pra mim, vejo aquela rede social como um belo exemplar de zoológico humano. 


meu psiquiatra me receitou um novo remédio, que acho eu, está me deixando com episódios de euforia. algo que eu não reclamo, mas gostaria de ter mais controle sabe? ao invés de passar 4 horas rodando pela casa enquanto procuro coisas inúteis, eu gostaria de usar esse tempo desenhando ou lendo mais. enquanto não chego nesse ápice de autocontrole, vou fazendo as coisas em uma frequência de conta-gotas - mas ainda assim uma frequência existente. 


cidade invisível...

fazia muito, muito tempo que eu não tomava iniciativa própria pra ver uma série, meu problema não era a falta de interesse (sério, eu tenho uma lista consideravelmente grande de séries que me interessam e que eu gostaria de assistir) mas sim um sentimento de angústia e ansiedade que me abate quando eu fico muito tempo sem fazer várias coisas ao mesmo tempo... quando eu sento pra ver uma série ou filme eu costumo pausar várias vezes pra olhar o twitter, conferir os joguinhos no celular, pesquisar alguma receita que provavelmente eu jamais farei, procurar mais indicações de séries/animes/mangás pra eu futuramente ver. nesse ritmo, eu acabo levando 3 dias pra terminar um mísero filme, quem dirá uma série?


mas dessa vez eu resolvi tentar mais uma vez... eu ouvi um episódio do podcast "é você satanás?" em que as meninas falam sobre uma produção brasileira em parceria com a netflix com o intuito de abordar o folclore brasileiro de uma forma mais moderna e apresentar aos gringos nossos contos e histórias de terror. eu achei interessante e fui procurar mais sobre, acabei vendo que era curtinha (7 episódios de mais ou menos 40 minutos cada). peguei meu fidget toy (pra manter as mãozinhas ocupadas) e fui assistir...


e eu gostei, gostei tanto que consegui ver tudo em menos de cinco dias (o que pra mim é um recorde de foco sozinha). também fiquei feliz em ver que a netflix não só confirmou a segunda temporada como também já começou com as gravações. 



eu curti muito a forma que retrataram alguns personagens e aspectos culturais e religiosos brasileiros. não achei a atuação aquela coisa forçada e os ganchos no fim de cada episódio realmente funcionaram pra me manter interessada na história. queria também destacar que eu achei a abertura muito conceitual, bem feita e ~chic. e nossa, é incrível como a alessandra negrini continua a cada dia que passa mais maravilhosa - sempre engatilhando meus bi panics. 


embora a série tenha como plano de fundo a investigação policial, eu admito que essa foi a parte mais tediosa, a parte mais previsível eu diria. mas mesmo assim eu gostei de acompanhar o personagem principal ao longo da história onde o seu ceticismo é quebrado e ele precisa começar a conviver com esse lado místico da cultura brasileira.