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R.I.P Twitter...

fazia um bom tempo que eu não escrevia aqui, admito. e juro que a morte do twitter não foi (unicamente) o que me incentivou a voltar, eu já estava ensaiando posts e até escrevi uma boa quantidade de rascunhos - que ainda precisam ser refinados. mas sim, hoje foi o segundo dia em anos que eu fico há mais de 10 horas sem "checar" aquele aplicativo completamente insalubre - e sim, eu reconheço que isso não é muito saudável.

o caso é que nessas 48 horas eu percebi que talvez essa tenha sido a melhor coisa que me aconteceu nos últimos meses. agora eu uso o bluesky, mas lá a comunidade anda bem mais focada em manter um ambiente descontraído e leve, o sistema de block é maravilhoso e funciona! e eu não me sinto mais ansiosa em abrir um app a cada 10 minutos por pura curiosidade de saber o que está acontecendo. nessas 48h eu, enfim, saí dos 60% em Frankenstein.

estou tão empolgada com esse novo mundo de tempo produtivo que ando até ensaiando minha volta aos estudos de japonês essa semana. e ainda estou conseguindo ver os filmes da minha lista de “filmes de terror para colocar em dia” já que eu passei tantos sem conseguir assistir um filme inteiro sequer num só dia. por fim, eu só desejo que o kiko tesla continue com seu chilique patético e que xandão use até sua última gota vingativa para manter esse site maldito banido em território brasileiro por um bom tempo.

a noite das bruxas...

mais uma obra da rainha do crime gata triste Agatha Christie - a personificação do clichê de senhorinha inglesa que ama uma fofoquinha acompanhada de uma xícara de chá.

aqui começamos a história acompanhando mrs. Ariadne Oliver, uma escritora famosa de livros de crimes e mistérios (qualquer semelhança com a realidade é uma mera coincidência), ajudando na organização (ou ao menos tentando) de uma festa de dia das bruxas para as crianças dessa pequena província no interior da Inglaterra, em companhia de outras senhoras e algumas crianças que também resolveram ficar pra ajudar na organização.

Joyce, uma garotinha de mais ou menos 9 anos, resolve dizer que já presenciou um assassinato (provavelmente para impressionar Ariadne), embora ninguém tenha mostrado acreditar na menina devido a sua índole duvidável e costume de mentir regularmente. depois da festa encontram o corpo dela sem vida, afogada na bacia de metal que horas antes havia sido usada para “pesca de maçãs” - e é ao redor desse mistério que iremos orbitar.

em completo estado de choque e confusão, mrs. Oliver pede ajuda a seu amigo, o detetive Hercule Poirot, para resolver o crime e fazer justiça a pequena mentirosinha e sua família. já que muitas senhoras (e inicialmente muitos oficiais da polícia) acreditam que o assassino tenha sido algum “doente mental” que ocasionalmente fugiu e por ironia do destino entrou na casa durante a festa de dia das bruxas.

… O excesso de misericórdia sempre resultava em crimes ainda mais graves sofridos por vítimas inocentes que teriam saído ilesas se a justiça viesse antes da misericórdia.

aqui a nossa gata triste resolve fazer um emaranhado absurdo de histórias até desembocar no crime em questão… quase uma daquelas filas de dominó que você só precisa derrubar a primeira peça pra e observar uma caindo após a outra até atingir o final. o que acaba complicando um pouco pro leitor prever o final muito antes do final.

bem, de certa forma, o criminoso tem sim alguns parafusos a menos, mas não no sentido de que se dá a entender inicialmente e o indivíduo possuí bastante discernimento e sabia muito bem o que estava fazendo e arrisco dizer que se fosse deixado em liberdade ele teria sim continuado a matar tranquilamente sem nenhum impedimento ou peso na consciência. 

o que andei fazendo...

vamos seguir as coisas e fingir que não fiquei muito tempo sem aparecer? ok, vamos continuar com  as atividades normais desse cantinho não convencional da internet. sobre a minha saúde as coisas continuam as mesmas - sem nenhuma melhora, mas também sem nenhuma piora significativa (o que talvez tenha me dado algumas semanas de depressão e reclusão no quarto, mas nada que algumas sonecas de 10 horas não ajude).

adquiri alguns hábitos nesse primeiro semestre do ano que tem me ajudado bastante em alguns aspectos… comecei a escrever um journal, uma espécie de diário, com compromissos e pequenas observações sobre meu dia e um diário de leituras também, onde eu escrevo sobre os livros que eu li e o que eu achei sobre eles (de forma despretensiosa). o journal tem me ajudado a manter uma espécie de noção sobre o tempo, como eu passo muito tempo em casa fazendo as mesmas coisas, eu estava sentindo que eu vivia o mesmo dia sempre, e isso acabava com meu psicológico aos poucos. voltar a escrever à mão também tem ajudado a aliviar o excesso de telas no meu dia a dia.

também resolvi ver mais filmes, e me cobrar pra registrar aqui como uma forma de não deixar as coisas passarem em branco mesmo sabe? na minha grande obsessão de levar uma vida low profile mas mesmo assim registrar pequenas coisas em lugares relativamente discretos da internet. também quero fazer o mesmo com minhas leituras, sejam de livros ou de mangás. enfim, sigo buscando melhorar minha qualidade de vida através de pequenos hábitos que eu consiga aderir no meu cotidiano. só me resta então, seguir com o baile.

o lago negro...

ultimamente eu notei que eu quase não lia muitos livros nacionais, muito menos os autores atuais, embora eu siga alguns no twitter. acabei esbarrando nesse livro e após ler a sinopse acabei sendo fisgada apesar de se tratar de uma trilogia (e eu não ando lá com tanta coragem pra me comprometer com leituras muito extensas - mas no fim das contas eu me rendi). o fato de ser uma história mais centrada no suspense que no romance me deu um incentivo maior. 

a história se passa em Lagoana, uma cidade fictícia no interior de São Paulo. achei interessante a escolha de usar a habitual reserva da comunidade interiorana pra criar uma atmosfera de tensão que acaba sendo confundida inicialmente com desprezo por parte dos habitantes em relação com as pessoas de fora. afinal, a cidade que há pouco era bem pequena, acabou se tornando uma cidade universitária. e é aí que a protagonista entra: Verônica se mudou pra essa cidade pois o mentor de seu pai leciona no campus da universidade de Lagoana.

Verônica Cattani está escrevendo seu primeiro livro. Seguindo os passos de seu pai, o falecido Andréas Cattani, seu principal objetivo é dar vida a histórias reais em forma de fantasia. Mas, antes, ela precisa cair nas graças de Carlos Velásquez, o antigo mentor de Andréas e atual professor na Universidade de Lagoana, onde agora ela estuda. Na tentativa de escrever seu enredo maluco e chamar atenção de Velásquez a jovem não percebe estar acordando demônios antigos, espíritos malignos que viviam no fundo das águas de um lago escuro. Agora, realidade e fantasia se misturam. É impossível discernir quem são pessoas reais e quem são seus personagens. Quem irá tirar Verônica das teias de sua própria loucura?

admito que inicialmente a leitura começou bem lenta, mas por um motivo particular meu, eu tive muita resistência com a Verônica, eu realmente não conseguia simpatizar com ela e o relacionamento dela com Enzo me deixava muito incomodada, entendo que ela é uma personagem com problemas psiquiátricos e que passou anos internada, mas parecia que ela nunca teve um acompanhamento profissional decente e que o namorado dela realmente acreditava que o poder do "amor" seria o suficiente pra ajudar com qualquer problema mental dela - e não estamos falando de uma depressão leve ou uma simples crise de ansiedade. 

o caso é que Verônica passou por um trauma muito pesado na infância e acabou internalizando todo o acontecido e soterrando tudo em seu subconsciente como uma tentativa de seguir adiante com a vida. porém, sempre que surge uma oportunidade, fragmentos de memória acabam se mostrando mas ela acaba interpretando tudo como algo lúdico e acaba registrando tudo como um livro de fantasia com elementos sobrenaturais - já que ela sempre sonhou em seguir os passos do pai como uma escritora. o problema é quando ela começa a ver essas "ideias fictícias" no mundo real e começa a duvidar de sua própria sanidade. 

Entre nós, agora, estava minha companheira. Era ela... A loucura. Ela é como um desalinho em espiral nos trilhos da sua mente. Quando o trem chega perto das zonas de risco, aqueles espaços se contorcem e retorcem, esgueirando-se dentro de seu cérebro, embrenhando-se no meio de sua carne, como veias enferrujadas intrincadas com as saudáveis. O trem fica desgovernado, acelera em meio a elas, passa por dentro de tudo, rasgando e sangrando. 

fiquei com medo dos meus bloqueios iniciais com a protagonista me atrapalharem no aproveitamento da leitura no geral, mas não aconteceu, o ritmo da história começa a acelerar e quando acabou fiquei surpresa em perceber que eu não me importaria em ir pra um próximo volume, já que muitas pontas ficam abertas e Verônica enfim resolve tentar ver as coisas como são e não fugir ou fantasiar sobre suas memórias. 



ainda estou aqui...

passei meses tentando escrever algo pra voltar pra esse espaço, perdi a conta de quantas vezes eu rabisquei e apaguei logo em seguida pois achei que estava tudo muito ruim... aliás, esse é um sentimento que me acompanha desde que eu me entendo por gente - e sim, eu faço terapia. mas enfim, o oompa loompa rebelde e caótico da minha cabeça acabou se apoderando do controle e resolveu postar logo mesmo que eu não estivesse feliz com o resultado final. 

esses meses que eu andei sumida daqui eu andei me afundando em meios de entretenimento, qualquer coisa que me fizesse esquecer a vida real. No final de 2023 eu fiquei completamente obcecada com jogos, voltei a jogar Ori, passei algumas semanas presas no House Flipper 2, e por fim fiquei um tempo considerável presa em Ghostwire Tokyo. Mas de janeiro de 2024 pra cá meu hiperfoco mudou... acho que meu corpo está saturado de telas e acabei me sentindo mais receptiva aos livros. 

eu não pegava um livro de forma consistente desde quando eu terminei a faculdade, eu não sentia mais nenhum prazer lendo e o que era proveitoso pra mim, estava mascarado com um sentimento de ansiedade e insuficiência - eu sentia que eu não lia o bastante, que os livros que me interessavam não eram bons o bastante, que a velocidade que eu lia não era fluída o bastante, e sem querer, de forma subconsciente, eu estava me comparando aos booktubers e booktoks malucos com métricas ridículas. E daí se eu não conseguisse ler 300 livros por ano? mais uma vez deixei o oompa loompa caótico assumir.

pra manter o interesse em leitura (e ter ao menos o mínimo de interação social que minha psicóloga quer que eu tenha) eu entrei no clube de leitura da Ana no catarse, as leituras que ela propõe são mais próximas ao meu gosto, então eu achei que poderia ser divertido. eu até criei coragem de começar a tentar ler um livro de mais de mil páginas. e claro que pretendo escrever sobre o que eu já li por esse ano, mas provavelmente vai ser de uma forma bem básica com minhas impressões de leitora casual e provavelmente com spoiler... quero escrever pra me divertir de novo, e não com medo de algum julgamento alheio que provavelmente nem vai me alcançar de forma concreta.

como última novidade, eu resolvi ouvir o senhorzinho do centro espírita de palmelo e resolvi ir pro curso sobre o "evangelho segundo o espiritismo", a psicóloga achou q seria bom que eu fizesse alguma atividade fora de casa e eu pensei que seria bom (e minha mãe iria parar de me deixar maluca) se eu cuidasse um pouco mais do meu lado espiritual.

enfim, acho que isso foi quase tudo que andou rolando nesses meses que eu dissociei e fingi que esse blog não existia. inicialmente eu pensei que não teria nada para escrever e acabaria jogando esse post no lixo, mas até que rendeu. e eu realmente espero que esse meu ânimo para cuidar de mim mesma com mais carinho e fazer as coisas que realmente me deixam feliz continue e eu volte aqui com mais frequência.