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garotas em chamas...

apesar de ter começado o livro mês passado e ter enrolado bastante pra pegar no embalo (por motivos completamente não relacionados), eu acabei de ler agorinha esse livro maravilhoso. me arrependo um pouco de não ter dado mais prioridade pra essa leitura e ter me prendido na leitura do curso de ux - que apesar de ter sido útil, cada vez eu me sentia mais repelida por ler outras coisas. meu deus como esses livros de design tem uma pegada pesada de auto ajuda.


enfim, "garotas em chamas" não me prometeu nada e me entregou tudo! ultimamente, eu tenho um certo medo de livros relativamente "novos" (vide, livros escritos nos últimos 20 ou que o autor ainda esteja vivo - estranho, eu sei), porque parece que eu consigo sentir quando o autor está escrevendo aquilo só pra ~quebrar a internet e criar uma série de qualidade duvidosa em streamings ou se realmente está escrevendo porque gosta e acredita na sua própria história. foi o que eu senti com Hex, meu deus quanta decepção.


Há muito tempo uma história sinistra é contada na pequena Chapel Croft. Cinco séculos atrás, mártires protestantes foram traídos, e então queimados. Trinta anos atrás, duas adolescentes desapareceram sem deixar vestígios. E há algumas semanas, o responsável pela paróquia local se enforcou na nave da igreja.


A reverenda Jack Brooks, mãe solteira de uma jovem de quatorze anos, chega a esse vilarejo em busca de um recomeço. Em vez disso, encontra um lugar tomado por conspirações e segredos, e é recebida com um estranho pacote de boas-vindas: um kit de exorcismo e um bilhete: Não há nada escondido que não venha a ser descoberto.


Quanto mais Jack e sua filha, Flo, exploram a cidadezinha e conhecem seus estranhos moradores, mais as duas se aprofundam em feridas antigas, mistérios e suspeitas. E, quando Flo começa a ver meninas ardendo em chamas, fica evidente que há fantasmas por ali que se recusam a descansar em paz.


Neste thriller macabro e cheio de reviravoltas, no qual nem todo mundo é quem parece ser, C. J. Tudor mostra mais uma vez por que é uma das vozes mais originais da literatura contemporânea.


As personagens são muito bem escritas, eu realmente me apeguei à Jack e Flo, me deixando com uma leve melancolia quando o livro acabou e eu percebi que não ia ler mais sobre elas. Jack é uma vigária, uma mulher vigária, o que já rende boas observações pois sempre que ela faz sua primeira aparição em uma cena, os personagens reagem de uma forma exagerada e machista por nenhum motivo aparente além dos próprios valores antiquados. apesar da sua ocupação, Jack se mostra bem cética e racional, ela não está lá por uma fé cega, mas sim para ajudar quem está em uma situação desesperadora como uma forma de compensar pelo seu passado. Flo, é a típica adolescente desajustada. aparentemente madura pra sua idade, veja bem, eu disse aparentemente. afinal de contas ela ainda é uma adolescente de 15 anos que se acha esperta demais - mas mesmo assim isso não a deixa irritante.


a leitura começa um pouco lenta, mas depois o ritmo fica mais dinâmico. os capítulos eram divididos e contados como ponto de vista dos personagens. alguns temas tratados podem ser gatilhos para algumas pessoas, como abuso, violência infantil e fanatismo religioso - as descrições não chegam a ser tão vívidas nesse ponto mas mesmo assim podem afetar alguém. eu vi muitas pessoas reclamando da quantidade de subplots na história e bem, não posso negar que tem um momento que eu mesma me senti um pouco confusa com a quantidade de informações, mas no final eu achei muito bom o conjunto da obra. e também entendo a escolha a autora em colocar o fator sobrenatural mais como uma leve cortina escondendo a história "real". 


como eu disse, eu escolhi esse livro por recomendação de uma amiga minha que gosta da mesma temática que eu, mas mesmo assim eu fui sem nenhuma expectativa. e fui surpreendida positivamente! tanto que já estou colocando os outros livros da autora na lista de leituras desse ano (risos). 


As pessoas são feitas para sentir culpa por "viver uma mentira", mas quem nunca escondeu partes de si daqueles que ama? Porque não queremos magoá-los. Porque não queremos ver decepção nos olhos deles. Falamos que o amor é incondicional, mas poucos querem colocar isso à prova. 

eu sou viciada em twitter...

as vezes eu me sinto um pouco refém do twitter sabe? como aqueles viciados que dizem "eu paro quando eu quiser" e assim que os amigos viram as costas, eu vou lá e abro o app no celular pra saber qual é o barraco ou situação absurda (e que não vai mudar em nada a minha vida) da vez. é como se algo me compelisse a ler toda a tl em busca de algo relevante que me leve a ilusão de que eu estou fazendo algo de interessante naqueles minutos em que eu fico presa no scroll da tela - tal qual um jovem zennial no tiktok. 

essa semana eu propus a mim mesma que ia dedicar ao menos 3hrs da minha tarde ao meu curso de UX/UI design, o resto do dia eu poderia aproveitar meu dia estudando tarot ou tentando assistir assistindo alguma série/filme/anime. até me forcei a voltar a usar o forest pra trancar os app inúteis do celular e focar apenas em uma tarefa (risos). a essa altura eu não preciso nem dizer que meus esforços foram em vão né? eu abria a página do curso, dava play na aula e......... quando eu voltava a realidade, lá estava eu, com um vídeo de react qualquer no youtube tocando ao fundo enquanto eu encaro uma aba do navegador com o twitter aberto. olho no relógio e percebo que perdi 2h no limbo automático do tdah.

fiquei frustrada e irritada comigo mesma? sim.
minha vontade é largar a vida real e ir dissociar em jogos de fazenda? sim.
vou continuar tentando essa tortura psicológica de me obrigar a ser produtiva nessa próxima semana? claro, eu nem tenho outra escolha nesse quesito.