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não há nada tão ruim, que não possa ser piorado...

para começar, esse post pode ser negativo... bastante negativo, mas eu sinto que ele precisa ser escrito. eu preciso externalizar essa bola de sentimentos ruins e que, de preferência, seja hoje pra já fechar o mês de junho e começar julho como uma nova página em branco aberta a várias possibilidades. 


em resumo, eu sempre afastei as pessoas de mim porque eu sei que vai chegar um momento que eu não vou conseguir dar a atenção suficiente que a pessoa quer. eu cresci sozinha e meus pais nem sempre tinham tempo pra me dar atenção, então eu sempre fui muito acostumada a passar tempo só, meus hobbies e passatempos são atividades individuais - ou seja, eu sou uma pessoa solitária no ponto de vista dos outros. e eu gosto de ser assim.


eu gosto de ter meu espaço, o meu momento de introspecção (por mais longo que ele possa ser), e quando eu estou em um momento de depressão (o que anda sendo frequente no cenário atual no nosso querido país) eu fico ainda mais reservada, há dias em que eu sequer escuto o som da minha voz. minha família está acostumada com isso, mas outras pessoas não... e as vezes as outras pessoas querem muita interação pessoal - especialmente depois desse período de reclusão da pandemia. mas sinceramente? eu não consigo mais. 


pretendo continuar escrevendo aqui, mas prefiro que seja algo leve, e por isso pretendo me cercar de coisas leves... escrever sobre a bobagens que eu leio, voltar a tentar assistir animes, nem que seja de uma forma picada, sempre pausando e indo fazer mais 44651568 coisas, mas ainda sim tentando. cercada no meu casulinho introspectivo mas trabalhando aos poucos para melhor minhas interações sociais com a ajuda profissional, sempre aos pouquinhos.

sempre vivemos no castelo...

Imagem Xis

terminei de ler mais um livro da rainha Shirley Jackson, e mais uma vez eu saio de uma leitura completamente surpreendida positivamente - e sem palavras também. depois de ler "assombração na casa da colina" eu resolvi adotar essa escritora como minha favorita e o único lamento que eu tenho é que não tenha tantas obras dela quanto eu queria.


em "sempre vivemos no castelo" conhecemos a família Blackwood - ou ao menos o que sobrou dela: Merricat (Mary Katherine), sua irmã mais velha Constance e tio Julian. os Blackwood são uma família tradicional e antiga da região, desprezada de certa forma pelos vizinhos que os julgam como esnobes. mas o que importa aqui é como vamos conhecer a dinâmica dos três Blackwood restantes.


a narrativa se dá pelo ponto de vista de Merricat e sua peculiar visão de mundo, sua rotina sistematizada e rígida e seus pequenos "rituais" de proteção contra o mundo exterior. sua personalidade é meio conturbada com toques de ansiedade e fobia social e sua mente absurdamente imaginativa sempre torna a leitura um pouco confusa no início. Constance possui uma personalidade mais submissa e doce, sempre ocupada em sua cozinha e sua horta, fazendo seus assados e conservas. já tio Julian passa seus dias escrevendo sobre a noite do último jantar em família em que todos os Blackwood ainda estavam vivos. 


Constance sofre de agorafobia e não é capaz de passar da horta da própria casa, o que para Merricat pode ser algo vantajoso, já que dessa forma ela consegue manter a irmã em segurança dentro das sólidas paredes da mansão Blackwood. porém as coisas começam a sair do eixo sistemático e rotineiro quando um primo distante resolve aparecer para uma visita, e quem sabe, ajudar as primas que ao seu ver estão desamparadas. e é com a chegada de Charles que Merricat resolve mostrar seu lado possessivo e infantil para proteger Constance que, por sua vez, não consegue ver a dubiedade das ações do primo. 


há uma adaptação cinematográfica de 2018 com a direção da Stacie Passon, com a Taissa Farmiga como Merricat e a Alexandra Daddario no papel de Constance mas eu ainda não assisti, só me falta descobrir como já que aparentemente não teve uma grande distribuição. enfim, eu super recomendo a leitura, apesar de não ser uma leitura muito confortável... me senti sufocada e as vezes desesperada em algumas passagens, mas é um dos estilos de leitura que eu gosto e foi muito bem escrito. mais uma vez a rainha do suspense mostra a que veio. 

eu não desisti de fazer planos...

mesmo nesse poço de apatia em que me encontro, percebi que não desisti de fazer planos para um futuro hipotético e distante. resolvi fazer o enem novamente (sim, enem no auge dos meus 29 anos) para usar a nota pra um curso técnico em cosmetologia ou design gráfico - e mesmo cheia de medos e desânimos, eu tive o apoio da minha mãe (que me sustenta e me dá todo o suporte necessário).

também resolvi voltar a estudar japonês, meu plano é encher minha mente o suficiente pra não ter espaço pros pensamentos intrusivos e paranóias. eu sempre gostei de estudar idiomas, mas infelizmente nunca tive o "tempo" e a possibilidade de me reservar pra estudar de forma séria.

talvez eu deva aproveitar esse tempo que minha saúde deplorável me cedeu e tentar focar no lado positivo. e sim, também estou tentando me ocupar com outros hobbies antigos que eu tinha e que me davam prazer antes: ler, desenhar, escrever...

até mesmo meu lado espiritual eu resolvi trabalhar mais esses dias. é difícil, mas se eu não tentar por mim, quem vai?