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por onde eu estive?

esses dias estava eu scrollando o bluesky (minha nova rede conforto e que embora as pessoas achem que é uma rede morta, esse é o brilho da coisa, somos todos ~senhoures fofoqueiros de rua naquele site) e me deparei com um desabafo de uma amiga dizendo o como ela não conseguia mais encontrar prazer em escrever de forma não profissional, e nesse momento eu lembrei desse cantinho e de como eu acabei deixando ele pegar pó novamente. essa amiga também comentou que ela havia tirado um ano sabático pra esvaziar a mente e acabei percebendo que eu havia feito o mesmo de forma não intencional, mas infelizmente não acho que ficar esse período distante tenha me ajudado com muita coisa em relação ao meu probleminha com auto cobrança excessiva - mas ficar evitando o problema também não vai me ajudar nada também.

resolvi voltar então, pensei até em migrar pro bearblog (cheguei até a reservar o endereço), mas acabei desistindo pra não colocar um peso a mais na minha cabeça em relação a uma nova cobrança, por fim ficarei aqui por enquanto. 

durante esse tempo em que desapareci deste pequeno blog, não tive muitas mudanças de vida. segui fazendo parte de um clube do livro pra continuar me incentivando com as leituras (em especial gêneros que eu jamais leria por conta própria) e contribuindo pra minha cota de socialização mensal. passei a estudar japonês de forma mais séria e há umas 2 semanas, comecei a frequentar a academia - digo "frequentar" porque não treino de forma pesada por conta do problema pulmonar, mas já é um bom início.

pretendo continuar aqui escrevendo de forma descontraída, um blog com uma carinha de diário, sem grandes pretensões e espero que colocar algumas coisas pra fora me ajude a me compreender e me desenvolver melhor.

despretensiosamente tirando o pó...

no tempo em que eu fiquei (mais uma vez) afastada desse espaço eu tive várias crises de ansiedade... cheguei a considerar criar um substack, pensei que seria mais fácil e cômodo levando em consideração que tem uma galera que eu acompanho indo pra lá, mas aí descobri que o dono do site é brother e apoia as ideias e comportamentos do kiko dos foguetes e desisti... eu não fugi do x pra cair em outra rede de milionário admirador de nazi. 


pensei em simplesmente deixar esse espaço cair no esquecimento, mas comecei a notar a necessidade que eu tinha de escrever sobre minhas pequenas experiências cotidianas e sentimentos corriqueiros, por mais irrelevantes que fossem, e percebi que tentar fazer isso tudo no papel (mesmo eu amando muito) acabava me sobrecarregando demais... eu começava a querer fazer anotações lindas, me frustrava com minha letra, rasurava o caderno e logo, o que deveria ser um momento de relaxamento e autorreflexão virava mais um momento de frustração desnecessária. no fim, digitar aqui acaba sendo mais fácil.


nesse meio tempo eu também me meti em mis um clube do livro, como se eu já não estivesse me cobrando o suficiente em relação aos meus "rendimentos" diários. mesmo assim eu me meti nesse novo clube do livro, mesmo assim eu me dei a liberdade de simplesmente não ler o livro do mês caso eu não queira ou não me sinta a vontade. mas as vezes, eu terminava de ler algo e sentia que eu precisava escrever em algum lugar sobre minhas impressões, e não conseguia encontrar esse lugar - esquecendo completamente desse espaço aqui. então esse foi mais um motivo que me fez voltar pra cá.


também venho tentando ver alguns filmes e voltar a ver alguns animes, fazia tempo que eu não fazia isso, sendo que era algo que eu gostava de fazer, ver um filme pela diversão apenas, sem a pressão de analisar no final como uma crítica de tênis verde, poder só ver um filme e dizer no final: "curti, não sei porque, mas curti". 


sei que é um trabalho lento, mas sigo tentando voltar a aproveitar as pequenas coisas da vida que eu tanto gostava antes e que depois da vida adulta eu comecei a me sentir absurdamente culpada em desfrutar. as vezes a ansiedade come a mente, e me deixa em estado de inatividade geral, mas sigo tentando, respirando fundo e registrando os pequenos avanços pra não esquecer. um dia de cada vez.

R.I.P Twitter...

fazia um bom tempo que eu não escrevia aqui, admito. e juro que a morte do twitter não foi (unicamente) o que me incentivou a voltar, eu já estava ensaiando posts e até escrevi uma boa quantidade de rascunhos - que ainda precisam ser refinados. mas sim, hoje foi o segundo dia em anos que eu fico há mais de 10 horas sem "checar" aquele aplicativo completamente insalubre - e sim, eu reconheço que isso não é muito saudável.

o caso é que nessas 48 horas eu percebi que talvez essa tenha sido a melhor coisa que me aconteceu nos últimos meses. agora eu uso o bluesky, mas lá a comunidade anda bem mais focada em manter um ambiente descontraído e leve, o sistema de block é maravilhoso e funciona! e eu não me sinto mais ansiosa em abrir um app a cada 10 minutos por pura curiosidade de saber o que está acontecendo. nessas 48h eu, enfim, saí dos 60% em Frankenstein.

estou tão empolgada com esse novo mundo de tempo produtivo que ando até ensaiando minha volta aos estudos de japonês essa semana. e ainda estou conseguindo ver os filmes da minha lista de “filmes de terror para colocar em dia” já que eu passei tantos sem conseguir assistir um filme inteiro sequer num só dia. por fim, eu só desejo que o kiko tesla continue com seu chilique patético e que xandão use até sua última gota vingativa para manter esse site maldito banido em território brasileiro por um bom tempo.

a noite das bruxas...

mais uma obra da rainha do crime gata triste Agatha Christie - a personificação do clichê de senhorinha inglesa que ama uma fofoquinha acompanhada de uma xícara de chá.

aqui começamos a história acompanhando mrs. Ariadne Oliver, uma escritora famosa de livros de crimes e mistérios (qualquer semelhança com a realidade é uma mera coincidência), ajudando na organização (ou ao menos tentando) de uma festa de dia das bruxas para as crianças dessa pequena província no interior da Inglaterra, em companhia de outras senhoras e algumas crianças que também resolveram ficar pra ajudar na organização.

Joyce, uma garotinha de mais ou menos 9 anos, resolve dizer que já presenciou um assassinato (provavelmente para impressionar Ariadne), embora ninguém tenha mostrado acreditar na menina devido a sua índole duvidável e costume de mentir regularmente. depois da festa encontram o corpo dela sem vida, afogada na bacia de metal que horas antes havia sido usada para “pesca de maçãs” - e é ao redor desse mistério que iremos orbitar.

em completo estado de choque e confusão, mrs. Oliver pede ajuda a seu amigo, o detetive Hercule Poirot, para resolver o crime e fazer justiça a pequena mentirosinha e sua família. já que muitas senhoras (e inicialmente muitos oficiais da polícia) acreditam que o assassino tenha sido algum “doente mental” que ocasionalmente fugiu e por ironia do destino entrou na casa durante a festa de dia das bruxas.

… O excesso de misericórdia sempre resultava em crimes ainda mais graves sofridos por vítimas inocentes que teriam saído ilesas se a justiça viesse antes da misericórdia.

aqui a nossa gata triste resolve fazer um emaranhado absurdo de histórias até desembocar no crime em questão… quase uma daquelas filas de dominó que você só precisa derrubar a primeira peça pra e observar uma caindo após a outra até atingir o final. o que acaba complicando um pouco pro leitor prever o final muito antes do final.

bem, de certa forma, o criminoso tem sim alguns parafusos a menos, mas não no sentido de que se dá a entender inicialmente e o indivíduo possuí bastante discernimento e sabia muito bem o que estava fazendo e arrisco dizer que se fosse deixado em liberdade ele teria sim continuado a matar tranquilamente sem nenhum impedimento ou peso na consciência. 

o que andei fazendo...

vamos seguir as coisas e fingir que não fiquei muito tempo sem aparecer? ok, vamos continuar com  as atividades normais desse cantinho não convencional da internet. sobre a minha saúde as coisas continuam as mesmas - sem nenhuma melhora, mas também sem nenhuma piora significativa (o que talvez tenha me dado algumas semanas de depressão e reclusão no quarto, mas nada que algumas sonecas de 10 horas não ajude).

adquiri alguns hábitos nesse primeiro semestre do ano que tem me ajudado bastante em alguns aspectos… comecei a escrever um journal, uma espécie de diário, com compromissos e pequenas observações sobre meu dia e um diário de leituras também, onde eu escrevo sobre os livros que eu li e o que eu achei sobre eles (de forma despretensiosa). o journal tem me ajudado a manter uma espécie de noção sobre o tempo, como eu passo muito tempo em casa fazendo as mesmas coisas, eu estava sentindo que eu vivia o mesmo dia sempre, e isso acabava com meu psicológico aos poucos. voltar a escrever à mão também tem ajudado a aliviar o excesso de telas no meu dia a dia.

também resolvi ver mais filmes, e me cobrar pra registrar aqui como uma forma de não deixar as coisas passarem em branco mesmo sabe? na minha grande obsessão de levar uma vida low profile mas mesmo assim registrar pequenas coisas em lugares relativamente discretos da internet. também quero fazer o mesmo com minhas leituras, sejam de livros ou de mangás. enfim, sigo buscando melhorar minha qualidade de vida através de pequenos hábitos que eu consiga aderir no meu cotidiano. só me resta então, seguir com o baile.

o lago negro...

ultimamente eu notei que eu quase não lia muitos livros nacionais, muito menos os autores atuais, embora eu siga alguns no twitter. acabei esbarrando nesse livro e após ler a sinopse acabei sendo fisgada apesar de se tratar de uma trilogia (e eu não ando lá com tanta coragem pra me comprometer com leituras muito extensas - mas no fim das contas eu me rendi). o fato de ser uma história mais centrada no suspense que no romance me deu um incentivo maior. 

a história se passa em Lagoana, uma cidade fictícia no interior de São Paulo. achei interessante a escolha de usar a habitual reserva da comunidade interiorana pra criar uma atmosfera de tensão que acaba sendo confundida inicialmente com desprezo por parte dos habitantes em relação com as pessoas de fora. afinal, a cidade que há pouco era bem pequena, acabou se tornando uma cidade universitária. e é aí que a protagonista entra: Verônica se mudou pra essa cidade pois o mentor de seu pai leciona no campus da universidade de Lagoana.

Verônica Cattani está escrevendo seu primeiro livro. Seguindo os passos de seu pai, o falecido Andréas Cattani, seu principal objetivo é dar vida a histórias reais em forma de fantasia. Mas, antes, ela precisa cair nas graças de Carlos Velásquez, o antigo mentor de Andréas e atual professor na Universidade de Lagoana, onde agora ela estuda. Na tentativa de escrever seu enredo maluco e chamar atenção de Velásquez a jovem não percebe estar acordando demônios antigos, espíritos malignos que viviam no fundo das águas de um lago escuro. Agora, realidade e fantasia se misturam. É impossível discernir quem são pessoas reais e quem são seus personagens. Quem irá tirar Verônica das teias de sua própria loucura?

admito que inicialmente a leitura começou bem lenta, mas por um motivo particular meu, eu tive muita resistência com a Verônica, eu realmente não conseguia simpatizar com ela e o relacionamento dela com Enzo me deixava muito incomodada, entendo que ela é uma personagem com problemas psiquiátricos e que passou anos internada, mas parecia que ela nunca teve um acompanhamento profissional decente e que o namorado dela realmente acreditava que o poder do "amor" seria o suficiente pra ajudar com qualquer problema mental dela - e não estamos falando de uma depressão leve ou uma simples crise de ansiedade. 

o caso é que Verônica passou por um trauma muito pesado na infância e acabou internalizando todo o acontecido e soterrando tudo em seu subconsciente como uma tentativa de seguir adiante com a vida. porém, sempre que surge uma oportunidade, fragmentos de memória acabam se mostrando mas ela acaba interpretando tudo como algo lúdico e acaba registrando tudo como um livro de fantasia com elementos sobrenaturais - já que ela sempre sonhou em seguir os passos do pai como uma escritora. o problema é quando ela começa a ver essas "ideias fictícias" no mundo real e começa a duvidar de sua própria sanidade. 

Entre nós, agora, estava minha companheira. Era ela... A loucura. Ela é como um desalinho em espiral nos trilhos da sua mente. Quando o trem chega perto das zonas de risco, aqueles espaços se contorcem e retorcem, esgueirando-se dentro de seu cérebro, embrenhando-se no meio de sua carne, como veias enferrujadas intrincadas com as saudáveis. O trem fica desgovernado, acelera em meio a elas, passa por dentro de tudo, rasgando e sangrando. 

fiquei com medo dos meus bloqueios iniciais com a protagonista me atrapalharem no aproveitamento da leitura no geral, mas não aconteceu, o ritmo da história começa a acelerar e quando acabou fiquei surpresa em perceber que eu não me importaria em ir pra um próximo volume, já que muitas pontas ficam abertas e Verônica enfim resolve tentar ver as coisas como são e não fugir ou fantasiar sobre suas memórias. 



ainda estou aqui...

passei meses tentando escrever algo pra voltar pra esse espaço, perdi a conta de quantas vezes eu rabisquei e apaguei logo em seguida pois achei que estava tudo muito ruim... aliás, esse é um sentimento que me acompanha desde que eu me entendo por gente - e sim, eu faço terapia. mas enfim, o oompa loompa rebelde e caótico da minha cabeça acabou se apoderando do controle e resolveu postar logo mesmo que eu não estivesse feliz com o resultado final. 

esses meses que eu andei sumida daqui eu andei me afundando em meios de entretenimento, qualquer coisa que me fizesse esquecer a vida real. No final de 2023 eu fiquei completamente obcecada com jogos, voltei a jogar Ori, passei algumas semanas presas no House Flipper 2, e por fim fiquei um tempo considerável presa em Ghostwire Tokyo. Mas de janeiro de 2024 pra cá meu hiperfoco mudou... acho que meu corpo está saturado de telas e acabei me sentindo mais receptiva aos livros. 

eu não pegava um livro de forma consistente desde quando eu terminei a faculdade, eu não sentia mais nenhum prazer lendo e o que era proveitoso pra mim, estava mascarado com um sentimento de ansiedade e insuficiência - eu sentia que eu não lia o bastante, que os livros que me interessavam não eram bons o bastante, que a velocidade que eu lia não era fluída o bastante, e sem querer, de forma subconsciente, eu estava me comparando aos booktubers e booktoks malucos com métricas ridículas. E daí se eu não conseguisse ler 300 livros por ano? mais uma vez deixei o oompa loompa caótico assumir.

pra manter o interesse em leitura (e ter ao menos o mínimo de interação social que minha psicóloga quer que eu tenha) eu entrei no clube de leitura da Ana no catarse, as leituras que ela propõe são mais próximas ao meu gosto, então eu achei que poderia ser divertido. eu até criei coragem de começar a tentar ler um livro de mais de mil páginas. e claro que pretendo escrever sobre o que eu já li por esse ano, mas provavelmente vai ser de uma forma bem básica com minhas impressões de leitora casual e provavelmente com spoiler... quero escrever pra me divertir de novo, e não com medo de algum julgamento alheio que provavelmente nem vai me alcançar de forma concreta.

como última novidade, eu resolvi ouvir o senhorzinho do centro espírita de palmelo e resolvi ir pro curso sobre o "evangelho segundo o espiritismo", a psicóloga achou q seria bom que eu fizesse alguma atividade fora de casa e eu pensei que seria bom (e minha mãe iria parar de me deixar maluca) se eu cuidasse um pouco mais do meu lado espiritual.

enfim, acho que isso foi quase tudo que andou rolando nesses meses que eu dissociei e fingi que esse blog não existia. inicialmente eu pensei que não teria nada para escrever e acabaria jogando esse post no lixo, mas até que rendeu. e eu realmente espero que esse meu ânimo para cuidar de mim mesma com mais carinho e fazer as coisas que realmente me deixam feliz continue e eu volte aqui com mais frequência. 

uma porção de centeio...

temos hoje mais um post sobre a minha escritora favorita, a rainha do crime: Agatha Christie (ou gata triste para os mais íntimos). o livro da vez foi "uma porção de centeio", como já está no título, e mais uma vez eu não saí arrependida da leitura. aliás, o famigerado cozy mystery é sempre uma boa escolha de leitura pra quando sua cabecinha não está tankando o bostil. e os livros da gata triste em especial, parecem grandes novelões que passam no horário nobre. 

nossa história começa com a morte de Rex Fortescue, um milionário de caráter duvidoso, a única discrepância nesse ocorrido é uma porção de centeio no bolso da vítima. a polícia se vê numa corrida contra o tempo quando mais duas vítimas aparecem, e com a ajuda de miss Marple, e sua visão nada ortodoxa, o detetive Neele começa a juntar as peças soltas do mistério. 

fiquei encantada com a ideia de que a polícia inglesa deixou uma senhorinha xeretar uma cena de crime sem nenhum impedimento, senhorinha essa que também possui referências com oficiais da Scotland Yard. a polícia cedendo para a força da fofoca. e nossa, quanta fofoca a miss Marple consegue desenterrar dos ricaços entediados e com medo de serem os próximos da lista de baixas. 

além das fofocas, outra característica marcante nas obras da Christie é: treta de família rica. é quase um casos de família edição de luxo. e a grande maioria das tretas é sempre por dinheiro, isso mesmo: ricos brigando por dinheiro. é uma grande obra de arte para nós, classe trabalhadora que mal consegue conceber a ideia de uma herança, quem dirá brigar por uma. 

apesar da aparição da nossa querida miss Marple se dar mais do meio pro final do livro, a história em si e o cenário foram muito bem construídos, fazendo assim com que a chegada da Marple seja o início do desenrolar do problema, sua presença é mais uma linha guia ao detetive Neele do que uma fonte de respostas fáceis, gostei de que ela tenta fazer ele chegar na solução antes de dizer tudo de forma fácil. outra característica dela que me agrada muito é o fato de que, embora sua aparência seja a de uma frágil senhora, miss Marple é uma mulher racional e calma, boa em ouvir e analisar o cenário como um todo.

o livro é leve e tem um bom ritmo, maravilhoso pra se ler na cama numa manhã mais fria com um copo de leite quente. foi uma leitura maravilhosa pra salvar minha cabeça depois do trauma que foi o beco das ilusões perdidas. 

o beco das ilusões perdidas...

com certeza esse foi o livro que mais me custou a terminar... eu não sou o tipo de pessoa que persiste na leitura de algo que eu não gosto só pra ter aquele número nas "estatísticas" (ainda mais que pra mim a leitura não deveria ser nada competitiva), mas aqui eu queria completar por dois motivos: é um clássico que inspirou um filme do del toro e a estruturação dos capítulos é inspirada nas cartas do tarô (e eu amo tarô).


cada capítulo tem o nome de uma carta de tarô, dando uma ideia de linearidade e da realização da jornada do "herói" (que aqui nós temos um ser humano desprezível). a jornada começa com a carta do louco e tem o seu fim na carta do enforcado. embora os capítulos não estejam na ordem tradicional do tarô, a ideia central é que o leitor veja o lado selvagem da humanidade, acompanhe o "crescimento" de Stan (nosso odioso protagonista) até o seu auge, e logo em seguida, temos sua derrocada espetacular e brutal, jogando ele no papel que ele tanto desprezava: o selvagem. 


O jovem Stan Carlisle, carroceiro de um circo de variedades, assiste, em um misto de repulsa e curiosidade, a uma das principais atrações do lugar: um alcoólatra, decadente e entregue à própria imundice, é apresentado como um selvagem, sendo objeto de espanto, nojo e escárnio da multidão voyeurística. Stan se pergunta como um homem pode se humilhar e perder a dignidade daquela forma. Ele jura que nunca, de forma alguma, essa desgraça poderia acontecer com ele.

Stan é inteligente e ambicioso – e não sem um traço útil de crueldade –, e em breve sobe na hierarquia do circo. No palco, vira assistente no espetáculo de leitura de mentes e adivinhação, e em pouco tempo se "gradua" como um espiritualista.

Aproveitando-se de suas novas habilidades, sai do circo e passa a atender ricos e crédulos em suas belas casas. O mundo parece estar à disposição de Stan. Mas seu caminho cruzará com o de uma perigosa psiquiatra, e nem tudo sairá como planejado: as ambições do jovem Stan cobrarão seu preço.


depois que eu terminei o livro, resolvi pesquisar sobre a vida do autor, e aí tive a certeza de que sim: Stan Carlisle é uma grande parte do próprio William Gresham, e isso não é uma boa coisa. fica visível que esse desprezo pela humanidade não é apenas coisa do personagem, é como se o autor levasse essa mágoa pro pessoal mesmo, com uma dose especial de rancor com o sexo feminino. Stan é cruel, odioso, não tem um farelo de humanidade e se importa unicamente consigo. seu único objetivo é se tornar "o maior" de todos e ganhar dinheiro fácil de ricos sem fazer muito esforço. Stan enxerga os outros como insetos, pois ele possui mais apreço por animais do que humanos. o alcoolismo também possui um peso bem grande tanto para Stan, quanto para Gresham. e o único fator que me faz dar uma aliviada pra esse homem, é o fato de que o livro foi escrito logo após a segunda guerra - ou seja, tava todo mundo fodido da cabeça.


A natureza humana é a mesma em qualquer lugar. Todos têm os mesmos problemas. É possível controlar qualquer um descobrindo-se o que ele teme.


as personagens femininas também são péssimas, quando mencionadas sempre estão acompanhadas com a ideia de que são desleais, egoístas, covardes e que se importam apenas com sexo. primeiro conhecemos Zeena, a cartomante, que traia o marido alcóolatra. depois temos Molly, retratada como uma pessoa fraca e influenciável. e por fim, temos Lilith, a psicóloga frívola que brinca com o intelecto e segredos de seus pacientes. li algumas resenhas em que as pessoas dizem que o livro é "um verdadeiro ensaio sobre a natureza do mal" mas eu não concordo. o mal apenas está lá, ele apenas é. não há motivos, não há causas. Stan não foi vítima das circunstâncias. e a forma em que Gresham aborda a psicologia é bastante contra produtiva. 


o ritmo de leitura é bem arrastado na primeira metade. a ambientação é boa, mas de certa forma desnecessária. muitas vezes eu acabava dormindo no meio da leitura. do meio pro final começa a pegar uma certa velocidade, mas lá nos últimos 5% do livro, as coisas ficam absurdamente corridas - como se o autor quisesse terminar logo a história. não vou negar, eu gostei do final, achei muito interessante acompanhar a quebra de sanidade do Stan, como se fosse uma folha de cristal bem fina, que se rompe com um leve toque de forma repentina. 


Era o beco escuro mais uma vez. Com uma luz em seu fim. Desde criança, Stan tinha aquele sonho. Estava correndo por um beco escuro, com prédios vazios e ameaçadores de ambos os lados. Lá no fim, uma luz ardia; mas havia algo atrás dele, bem atrás, chegando mais perto, até que ele acordava tremendo e nunca alcançava a luz. Eles também têm... um beco do pesadelo. O norte não tem fim. A luz apenas vai para mais longe. E o medo vai chegando mais perto.


é um livro que eu recomendaria pra pessoas que se interessam pela degradação da mente e condição humana, como um estudo de caso mesmo. aqui não há esperança ou uma ideia de um amanhã pleno, apenas um beco escuro, que por mais que você tente fugir, a escuridão sempre vai estar atrás de você, pronto pra te engolir. 

voltando de layout novo...

e aqui estou eu de volta, depois de uma semana sem aparecer e sem cumprir com minhas "obrigações" de beda por uma semana... mas como podem ver, foi por uma boa causa... estamos de roupinha nova! - agradecimentos especiais à Roh - você é um anjo! Ainda estou arrumando uns links (e trabalhando no projeto do curso de ux) mas vou tentar voltar a programação normal amanhã... sem promessas dessa vez.



apenas um desabafo semanal...

esses dias tem sido bem difíceis aqui em casa, minha mãe anda bem nervosa e não importa o que eu faça, nada é bom o suficiente pra ela. portanto eu ando tentando me afundar em qualquer coisa que consiga me descolar da realidade. os últimos momentos em que volto é quando estou fazendo os exercícios ou vendo as aulas do curso de ux, que já estou terminando (já em 70% irmãs, vamos comemorar com muito brigadeirão). 


o caso é, minha mãe é o que muitos chamam de "mãe helicóptero" e isso é um problema bem grande, diria que um dos meus principais problemas atualmente. eu não sou lá uma filha que deixe a mãe completamente doida... eu não gosto de sair de noite, raramente bebo e adoro ficar em casa. mas mesmo assim, minha saúde frágil parece controlar mais a vida da minha mãe que a minha. ela se aposentou, mas todos os dias ela fica resmungando o quanto ela queria ir para o interior e que não pode por conta do meu tratamento. eu já dei diversas saídas e soluções para o problema, mas tenho a leve impressão que ela acha que se sair de perto de mim eu posso, sei lá, causar uma nova calamidade mundial. 


eu simplesmente desisti de argumentar, as pessoas não entendem e acham que eu não me esforço o suficiente e não ajudo, mas ninguém lembra de que eu convivo com essa situação há décadas e sei que ela não dá ouvidos ao que eu digo, mas se as mesmas palavras saírem dos lábios de alguma de suas amigas, aí ela começa a considerar. isso é desgastante, me sinto sufocada e sem voz, e por mais que eu tentasse só escrever coisas boas aqui, por mais que eu tivesse topado fazer o beda pra me distrair, hoje eu não consigo pensar em mais nada. só o quanto a minha incapacidade é sempre ressaltada por mais que eu demonstre que estou preparada pra lidar com os tapas da vida. 

sobre amor...

Amor não é algo que damos ou recebemos; é algo que nutrimos e fazemos crescer, um vínculo que só pode ser cultivado entre duas pessoas quando já existe dentro de cada uma delas – só podemos amar alguém na medida em que amamos a nós mesmos.


A coragem de ser imperfeito por Brené Brown


mitsuboshi colors...

esses dias eu e meu amigo hidan fizemos uma "sessão pipoca" via discord, normalmente é uma das formas que eu consigo assistir algo até o fim pois sou pressionada pela presença da outra pessoa na call. escolhemos assistir um anime que já estava completo e que, coincidentemente, é um dos 81927 mangás que eu estou lendo no momento: mitsuboshi colors


é um desses animes levinhos, que mostram o dia a dia de personagens simples. é uma ótima forma de se distrair sem engatilhar algum trauma ou ansiedade. bem o tipo de coisa que eu ando consumindo atualmente - passei quatro anos na faculdade consumindo só tragédia e desgraça social, então me dou ao luxo de me afundar em programas confortáveis sim!

mitsuboshi colors conta a história das colors: 3 garotinhas (Yui, Sacchan e Kotoha) que protegem sua cidade fazendo boas ações e ajudando os habitantes locais. ou pelo menos esse é o objetivo delas. embora sejam muito novas para perceber que não conseguem arcar com esse papel de heroísmo, ainda assim as menininhas acabam alegrando o dia de todos ao seu redor. elas são muito fofas e o anime é uma ótima forma de esvaziar a mente e dar uma respirada de todo o caos da vida real. 


meus pequenos truques para lidar com a insônia...

não é a primeira vez que eu escrevo aqui que eu tenho problemas para dormir (e também com certeza não vai ser a última), é um problema recorrente na minha vida que eu tenho que conviver desde a minha infância e por isso eu fui acumulando pequenos truques que funcionam pra mim. mas é claro que eu também tenho acompanhamento médico frequente (pois eu também faço uso de um remédio fraco e sem potencial viciante, mas ainda é um medicamento que eu não vou citar o nome por motivos óbvios).



1. um banho quentinho antes de me enfiar no pijama...

começo meu ritual noturno com um banho morno, pra algumas pessoas água pode espantar o sono, mas pra mim, o tomar um banho morno ou quente e depois passar um hidratante cheirosinho e suave me ajuda a desligar a cabeça, acalmando minha ansiedade e relaxando o corpo. eu me sinto limpinha e leve como se a água estivesse levando toda a pressão do dia pelo ralo. e eu tenho mania de só usar meias depois de tomar banho, então eu aproveito pra embalar os pézinhos pra proteger do frio também, com um pijama bem confortável... pijama is my passion!


2. mantenho o celular e computador o mais longe possível (sem TV também!)...

eu evito mexer no celular ou computador uma hora antes de quando eu pretendo dormir, as vezes bate aquela vontade de xeretar a timeline do twitter mas eu me seguro pois nunca se sabe quando uma notícia horrível pode pular na sua cara enquanto você ta de boas (ou você pode se deparar com uma pessoa expondo a opinião podre dela, então evite a raiva). também dizem que a luminosidade dessas telas atrapalham a produção de melatonina do corpo.


3. uma leitura pra parar o fluxo de pensamentos frenéticos...

sempre leio ou escuto algum podcast antes de dormir... meu cérebro sempre tá ansioso e nervoso com alguma coisa, então eu sempre tento manter ele "ocupado" com coisas mais leves. meu combo favorito é colocar barulho de chuva nos fones e ler alguma coisa bem boba, normalmente eu apelo por mangás slice of life (aqueles que tem o cotidiano de pessoas normais como trama principal) no kindle ou algum livro de fantasia. é uma forma que eu consegui de fazer meu cérebro entender que ele precisa calar a boca nem que seja na força do tapa. o mesmo vale para podcasts antigos que eu já ouvi, me dá a sensação que tem amigos falando abobrinhas pra mim enquanto eu tento abstrair dos meus problemas.


4. meditação meia boca enquanto tenta regular a respiração...

quando eu estava internada, uma das enfermeiras me ensinou que se eu tentasse "regular" minha respiração antes de dormir, eu pegaria no sono mais rápido - e por incrível que pareça funcionou (pra mim). quando eu me deito eu começo um pequeno exercício pra controlar minha frequência cardíaca e minha respiração, eu respiro fundo pelo nariz e prendo a respiração por 5 segundos e depois solto o ar pela boca bem devagar e depois repito umas 10 vezes. eu prendo o ar só por 5 segundos pois meu pulmão é fraco, mas normalmente você segura mais um pouco. aí enquanto eu fico focada em não perder a contagem e as repetições eu acabo "meditando" de uma forma bem safada.


5. um quarto aconchegante é essencial pra uma boa noite de sono...

o ambiente é de extrema importância pra mim. quanto mais fresco o quarto melhor, eu gosto de dormir com o umidificador ligado com umas gotinhas de óleo essencial de laranja (me dá mais sono que o de lavanda e eu também acho o cheiro bem mais agradável). também tento deixar o quarto o mais escuro possível, mas meu sonho é comprar aquelas fitas led pra deixar o quarto num tom de azul escuro, uma vez dormi no quarto de uma amiga que tinha e nossa, foi uma delicinha pra pegar no sono. eu também uso muitos travesseiros pra manter meu corpo em um ângulo de 145° (pra facilitar a minha respiração) e outro daqueles travesseiros mais compridos que eu gosto de usar pra abraçar.


spiritfarer...

estou há dois dias completamente imersa em spiritfarer, um jogo onde você é uma espécie de novo caronte (o barqueiro responsável por guiar as almas para realizar sua passagem final na mitologia grega). o objetivo é simples: você coleta as almas que estão teoricamente perdidas em ilhas e as abriga no seu barco, depois disso é sua função auxiliar e realizar os desejos finais desses passageiros para que eles se sintam à vontade para fazer a passagem. é aqueles estilos de jogo que eu amo: coletar, fabricar e construir itens para resolver as tarefas que os npcs te dão.


o jogo tem uma história linda e carrega uma mensagem sobre como lidar com um assunto tão pesado como a morte. eu já havia começado a jogar há muito tempo atrás, mas quando o primeiro personagem me pediu para passar pelo portão do pós vida, eu estava tão apegada que eu preferi parar de jogar pra poder "manter" ela no barco, meses depois que eu consegui superar esse pequeno probleminha que eu mesma criei para mim. 



não quero falar mais sobre a história porque acredito que as pessoas deveriam jogar e experenciar a história em primeira mão, mas posso adiantar que todos os passageiros são ligados de alguma forma com a vida e o passado de stella - a protagonista. enfim, é um jogo maravilhoso que eu acho que deveria ter mais atenção. ele vai te manter entretido por um bom tempo (se você, como eu, for lerdo pra fazer as missões e entender a mecânica) e, além disso, você tem um gatinho muito lindo como companheiro de aventuras. 


uma citação sobre compaixão...

Compaixão não é uma relação entre o curador e o ferido. É uma relação entre iguais. Somente quando conhecemos bem a nossa escuridão podemos nos mostrar presentes na escuridão do outro.


A coragem de ser imperfeito por Brené Brown


tag: minha rotina...

eu vi essa tag no blog da arantxa e eu achei muito interessante, achei que seria divertido responder. eu adoro tags, me lembra aqueles cadernos de perguntas que rodavam na sala na época do ensino fundamental. e também são ótimas formas que criar temas pra escrever. sem mais delongas, aqui estão minhas respostas...


eu acordo por volta de 09h da manhã, nos dias que eu preciso ir em consultas ou na psicóloga eu preciso levantar um pouco mais cedo, na maioria das vezes é entre 07h e 08h.


a primeira coisa que eu faço ao acordar é pegar o celular pra ver as notificações. eu sei que não é saudável, mas eu to sendo sincera aqui! depois eu levanto e vou lavar o rosto no banheiro pra acordar de vez. 


no café da manhã eu normalmente tomo uma caneca de café com leite apenas. as vezes eu como um cuscuz pequeno ou um misto quente, depende do horário que eu vou comer, porque eu acabo me sentindo cheia até a hora do almoço, e minha mãe faz questão que eu almoce por questões de saúde.


de manhã eu costumo ler algumas webtoons/mangás ou fazer as quests diárias dos joguinhos que eu tenho no celular. também começo a me organizar para as tarefas que eu preciso fazer de tarde.


eu almoço por volta de uma da tarde. eu preferiria comer meio dia, mas normalmente eu ainda estou muito cheia do café da manhã, meu metabolismo é bem lento.


no almoço eu dou preferência pra outros carboidratos além do combo arroz + feijão. ainda como carne, mas diminui bastante a quantidade nos últimos anos. e sobre salada eu gosto bastante de tomate, beterraba e cenoura crua, dá uma sensação de frescor. 


à tarde eu gosto de reservar meu tempo pras aulas e atividades relacionadas ao curso que ux que eu estou fazendo. é uma parte do dia que embora eu não seja tão produtiva, sinto que é um momento próprio para trabalho, pois assim minha noite fica livre.


todo dia eu tento comer uma fruta, bebo em torno de 2,5l de água, tomo meus remédios, faço as missões diárias de genshin impact e as missões de time princess, leio um pouco e tento rabiscar algum desenho. 


como forma de me organizar eu uso o google calendar, o todo mate, o listography e o notion. eu amo fazer listas, sinto que meu cérebro processa melhor as informações assim. me acostumei a usar ferramentas digitais porque as vezes preciso sair de casa (internações, hospitais, viagens curtas para casa de parentes) e não conseguiria carregar muitos cadernos por aí, e me perderia facilmente nas anotações. 


no jantar eu ... não janto. eu prefiro um lanche mais leve, um leite quente com misto (se estiver frio), bananas com pasta de amendoim, frutas, uma crepioca, torradinhas com patê... coisas desse tipo. 


eu vou dormir por volta de uma ou duas da madrugada, normalmente eu me deito mais cedo (em torno de 23h, depois de tomar um banho quente) mas a insônia nunca me deixa dormir em paz. 


aos finais de semana eu gosto de procrastinar sem me sentir culpada (risos). jogo o dia inteiro ou apenas fico vendo vídeos irrelevantes no youtube. também gosto de acordar mais tarde e as vezes passar o dia na cama. 


o que mais gosto de fazer no meu dia é tomar um banho quentinho e ir ler alguma coisa antes de dormir - algo no kindle ou livros físicos, não posso usar telas iluminadas (pois piora a insônia) embora eu gostaria de ficar lendo mangás. é o momento que eu mais sinto meu corpo relaxar, o banho também me faz me sentir limpa e mais leve, me sinto mais calma. as vezes eu coloco um ruído branco ou um lo-fi de fundo. sim, meu momento favorito do dia é a hora de dormir.


12 livros para 2023...

estou tentando voltar de vez com alguns hábitos off-line que me faziam bem antigamente e que eu acabei negligenciando nos últimos anos, leitura é uma delas. desde que me formei em direito eu comecei a fugir de livros e dar prioridade a quadrinhos e mangás, provavelmente pelo fato de que com a presença das imagens e dos textos mais espaçados eu sinta que não estou algo muito sério, mas sim aproveitando um momento de lazer. vou tentar ler um livro por mês, pelo menos, e pensei em estruturar essa lista com alguns dos 817261 títulos na minha estante de "pretendo ler" do goodreads. 


1. antes que o café esfrie; toshikazu kawaguchi: esse eu já li e adorei, mesmo me fazendo chorar horrores eu achei os contos belíssimos e de uma delicadeza absurda! ainda não vi o live action mas já baixei no notebook (perdão pela pirataria senhor, mas não achei em streaming).
2. garotas em chamas; c. j. tudor: também já li e gostei bastante, eu dei prioridade porque for recomendação de uma das podcasters(?) de terror que eu escuto regularmente. 
3. o beco das ilusões perdidas; william lindsay gresham: essa é minha leitura atual, ainda estou no início e bem confusa (kkcry). também foi uma indicação de uma blogueira de terror que eu curto bastante e ocasionalmente pego dicas, a jesca.
4. uma porção de centeio; agatha christie: sempre gosto de ler algo leve entre as leituras, e pra mim a gata triste é um ótimo entretenimento, tem aquele gostinho de novela de mistério pastelão mas sem ser mal feito. 


5. serpente de essex; sarah perry: esse aqui eu realmente não sei onde encontrei a recomendação, mas li a sinopse e me senti interessada. livros de época e com protagonistas femininas sempre me atraem, o mesmo acontece nos mangás (alô isekai). 
6. o homem de giz; c. j. tudor: já estava há anos na minha lista de "livros para ler" e eu sempre acabava escolhendo outro, mas depois que eu li "garotas em chamas" eu resolvi, enfim, dar atenção para "o homem de giz" que os booktubers aclamaram anos atrás...
7. kafka à beira-mar; haruki murakami: eu sempre vejo muitos elogios aos livro do murakami, acho que as capas me assustavam um pouco porque me passam uma vibe mais "livro que vai desestruturar seu psicológico", mas uma moça no twitter disse que seria uma boa começar por esse livro dele. 
8. punição para a inocência; agatha christie: mais um livro da gata triste pra amortecer possíveis ressacas literárias e desgraçamentos emocionais - e, aos poucos, terminar meu projeto de leitura da rainha do crime.


9. a última festa; lucy foley: outro nome que eu sempre vejo pelos vídeos dos booktubers que tem o gosto literário parecido com o meu. e mais um título que eu estou rezando pra não odiar e perder a energia pra seguir indicações. 
10. querida konbini; sayaka murata: depois de "antes que o café esfrie" eu criei um certo interesse em ler mais livros orientais, afinal eu já consumo tanto da cultura no geral mas não me lembrava de nenhum livro de autores orientais que eu já havia lido antes. esse livro foi indicação da gabi, que tem um bom repertório nesse campo (e ela também gostou do livro do toshikazu)
11. kim jiyoung, nascida em 1982; cho nam-joo: outro livro que escolhi por ser de autor oriental e com o combo de ter protagonista feminina - com a desigualdade de gênero sendo a temática principal (aparentemente). vou passar raiva? sim. isso vai me impedir de ler? não, pois sou extremamente trouxa. 
12. um corpo na biblioteca; agatha christie: perceba que esse eu escolhi estrategicamente para amortecer a indignação que "kim jiyoun" possa me causar. 

o que eu gostaria de ter dito para o meu eu de 18 anos...

eu estava procurando inspirações para escrever um post, algo que eu conseguiria extrair algo significativo pra mim e que fosse interessante... infelizmente continuo me cobrando demais querendo sempre escrever algo relevante quando na verdade esse é apenas um blog pessoal que deveria me distrair e ser uma experiência prazerosa e não uma obrigação. enfim, me deparei com a lista com "642 coisas sobre as quais escrever" organizada pela Bruna Morgan e o item 97 me chamou a atenção: imagine-se aos dezoito anos de idade. o que diria a si mesmo(a)?


sei que não é saudável se lamentar demais sobre o passado e que o melhor que fazemos é nos dedicar para ter um bom presente e futuro. mas mesmo assim se eu pudesse voltar ao passado e ter uma conversinha com meu eu de 18 anos, eu teria muitas coisas pra falar. a primeira dela seria: meu anjo, procure uma psicóloga e pare de se afundar no sedentarismo. é isso que eu falo pra minha irmã de 19 anos também. eu sei que ela deve pensar que é um conselho de millennial chato que só sabe falar de terapia, mas eu sigo enfatizando a importância.


sobre o sedentarismo, eu admito que sou um péssimo exemplo de pessoa nessa área. eu passo mais de 12 horas na frente do notebook, e não era muito diferente nos meus 18 anos. é claro que eu saia nos fins de semana e até fui em alguns festivais de música, mas mesmo assim meu condicionamento físico sempre foi ruim. os médicos dizem que provavelmente eu não teria manifestado a hipertensão pulmonar se eu tivesse estimulado meus pulmões (que já eram fracos de infância) para ficarem mais fortes. 


também diria para dar menos atenção e importância para aquilo que os outros dizem, eles não pagam suas contas e por mais que você se esforce, nunca será suficiente e você só vai ficar frustrada no final. eu passei tantos anos da minha vida tentando corresponder as expectativas que os outros tinham comigo que acabei esquecendo que o que importa de verdade é meu bem estar mental e minha felicidade. tudo bem se você não agradar todo mundo, o importante no fim do dia é você estar contente e em paz consigo mesmo. 


por fim, nessa mesma pegada de "faça o que você quer fazer, e não o que os outros esperam que você faça" eu pediria pro meu eu de 18 anos reconsiderar abandonar a faculdade de arquitetura e se mesmo assim quiser mudar, escolher o design gráfico ao invés de direito. atualmente eu abri mão de trabalhar com direito para poder me envolver em algo que, pelo menos, eu me sinto bem no meio. enquanto eu me sentia vazia e insuficiente na área jurídica - como se eu tivesse sendo castigada em um emprego do qual eu odeio pelos restos dos meus dias. 


é isso que eu queria ter dito ao meu eu de 18 anos, e é o que eu digo a minha irmãzinha de 19. não me espelho nela, mas desejo que ela seja feliz e aproveite ao máximo as oportunidades que a vida dá pra ela - como uma amiga conselheira e não alguém que impõe suas ideias. e sigo tentando, ser mais gentil comigo e ouvir meus próprios conselhos para que daqui há alguns anos eu não queira falar com meu eu de 30 dias atuais. 

eu não vou desistir dessa loucura...

passei o dia trabalhando em alguns rascunhos de landing page e emails para o curso, não fiquei contente com o resultado final e no meio da frustração não consegui pensar em nada muito especial pro blog, mas vou seguir no desafio de postar todos os dias, nem que seja esse singelo gif expressando minha exaustão...